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Da exposição dos filhos na net

28.06.13

Não entendo a necessidade de postar fotos dos filhos a cada dez minutos, olha aqui a rir, aqui a chorar, aqui a subir ao escorrega, aqui a descer, aqui a comer a sopa, aqui a comer a bolacha, aqui a não querer comer. Não percebo e, talvez por não perceber, não concordo com esta exposição. Há coisas que só interessam à família, eventualmente a amigos chegados e pouco mais. Falo por mim: não tenho interesse nenhum em vez dez mil fotografias dos filhos dos outros, com as suas conquistas e bravuras. São miúdos, iguais aos outros todos, não são seres extraterrestres. São giros, que são, fazem graças, claro que sim. Mas não me interessa ver. Não aprendo mais por isso. Mal não me faz, é certo. Mas preferia não ver. Preferia que lhes deixassem a eles a decisão de aparecer ou não. Preferia que não se explorasse a imagem destes miúdos, iguais aos outros todos, omnipresentes em tudo quanto é rede social. A partir do momento em que se faz "publicar" aquela fotografia - que devia ser nossa, da nossa história - passa a ser do mundo e perdemos o controlo sobre ela. Deixamos de saber onde vai parar - sim, é possível sacar tudo e guardar e fazer circular.

É por não entender e não querer seguir este caminho que, há quase 6 anos, pedi a amigos e familiares que não pusessem nenhuma foto dos meus filhos online. Houve algumas publicadas e imediatamente retiradas, porque não quero mesmo que circulem por aí fotografias deles. Na rua andam de cara coberta? Não. Mas na rua passam e seguem caminho, não ficam cristalizados. Pode dar-se o caso de eu ser demasiado extremista nisto - até porque sou das poucas pessoas, de entre as que conheço, que faz isto. Mas prefiro isto. Prefiro resguardá-los até que tenham idade para decidir se querem aparecer a subir e a descer escorregas, a fazer xixis em arbustos ou a molhar os pés na praia. Sou vaidosa dos meus filhos, são giros, são espertos e são nossos, sendo do mundo. Mas não me parece que tenha qualquer interesse partilhar a vida deles em imagens que ficam para sempre neste espaço enorme e incontrolável. Ah e tal, então não mostras fotos dos teus filhos a ninguém? Mostro. Quando nos lembramos, mandamos um email aos amigos próximos e à família, com duas ou três fotos deles. Porque sabemos que estas pessoas têm interesse em vê-los, sabemos que gostam de saber como andam. Mas, para lhes mostrarmos a eles, não precisamos de mostrar ao mundo. Temos também uma pastinha na Dropbox, partilhada com a família, onde vamos pondo as fotos. Estão ali, resguardadas, só acessíveis a meia dúzia de pessoas, como gostamos. Chamem a isto parvoíce. Nós chamamos privacidade. E enquanto a vaidade que temos nos miúdos não for superior aos nossos instintos de defesa, será assim.

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1 comentário

De Anónimo a 01.07.2013 às 15:59

Não sou particularmente fã de expor as crianças na net. Ainda não sou mãe, não sei se um dia o serei, mas, compreendo por um lado a alegria de partilhar os momentos bons com os filhos e criar um album com a sua evolução. Mas, colocá-lo à disposição de toda a gente conhecidos e não conhecidos é um passo de gigante que não sei se gostaria. Eu, que sou avessa a que me tirem fotografias, não iria achar muita piada se soubesse que a minha mãe ou o meu pai tinha espalhado por aí fotografias minhas de quando era criança.
A solução será esperar quando forem crescidos e manifestem a sua opinião, porque é da imagem deles que se trata...

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