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Not being me

29.01.13

Não sei bem por onde começar. Talvez assim...

 

Eu tenho um problema (tenho vários, na verdade, mas vamos por partes). Eu não lido bem comigo. Deixei de me reconhecer há uns anos. Sim, tem tudo a ver com peso. E forma. Ora bem, já disse mil vezes que o meu problema nem sequer é gigante - 8kg, 10kg se deixar gritar a ambição. Sim, eu sei, há coisas bem piores, há problemas bem maiores (e eu também tenho problemas bem maiores do que umas ancas largas, acreditem).

 

Bom, a verdade é que ando há cinco anos em dieta. E também é verdade que ando há cinco anos a boicotar a dita dieta. Tenho pouca (ou, em rigor, nenhuma) resistência às tentações gastronómicas. Não consigo. Ando um dia ou dois a portar-me bem e ao terceiro dia lá vai um chocolatinho. Ou um bolo. Ou outra porcaria qualquer. E depois sinto-me culpada e congelo. Não sou capaz de me manter focada no objectivo, arranjo desculpas, tudo serve de pretexto para comer. Sim, a comida funciona como droga, para mim. Sim, isto é discurso de adicta. Mas o primeiro passo para a cura é assumir o problema, certo? Cá está, problema assumido: preciso de perder 8kg e não sou capaz de parar de comer. E a verdade é que já gostei mais de mim. Agora cheguei à fase de não querer saber. Não me importo comigo, não acho importante tratar de mim. Desleixei-me, na verdade. Não tenho motivação, não me sinto com forças, não me sinto capaz. E isto é uma trampa porque depois alastra e chega a outras áreas da minha vida onde eu não quero nem posso estar assim: trabalho e capacidade de produção.

 

Preciso de um reset. De recomeçar. De repensar e de me reorganizar. Preciso de um novo desafio que me faça ter vontade e brio e que puxe por mim e que exija de mim o impossível - que eu sei que é possível e que eu sei que sou capaz de conseguir. Preciso de me reencontrar, de voltar a conhecer-me, de voltar a sentir-me bem comigo. E preciso de me aceitar novamente...

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29 comentários

De Lénia Rufino a 29.01.2013 às 15:37

Pois... tocaste no ponto nevrálgico da coisa. Eu sei onde é que isto começou... Na gravidez da minha filha portei-me super bem, só engordei 8kg (pesava 55 quando engravidei). Depois, logo a seguir a ela nascer, desatei a comer desalmadamente. A fome que vinha com a amamentação juntou-se a uma série de carências afectivas e a comida era o que me fazia sentir bem. E continuei assim durante muito tempo. Depois, na gravidez do meu filho, tudo igual. Acrescentando todo o stress que havia na empresa onde trabalhava (erros de gestão, ordenados em atraso, cenas mal feitas, enfim...), a coisa piorou. Depois foi aquela palhaçada de tentativa de mudar de emprego, no ano passado... e ter vindo para casa. Se, por um lado, me dá a possibilidade de escrever, por outro sinto SEMPRE que não sou suficientemente boa. Sinto que toda a gente espera sempre mais de mim: a minha mãe, o meu marido, os meus filhos, o mundo em geral. Parece que estou sempre sob pressão, que estou sempre a ser avaliada, que o que eu faço nunca é suficiente para fazer as pessoas felizes. E sinto que não sou capaz de mais. Então, para não falhar, nem sequer tento fazer, percebes? E é por isso que também não levo as dietas a sério, acredito que comigo nada vai funcionar, portanto nem me dou ao trabalho de tentar. É uma estupidez, mas é a verdade.

Sinto falta de sair de casa, de fazer coisas produtivas, sinto falta de ver as pessoas contentes comigo... Sinto-me uma merda, em resumo. E quero muito dar a volta a isto, voltar a sentir-me bem comigo, voltar a sentir-me capaz... mas não sei por onde começar. E depois a falta de dinheiro não ajuda nada. Não posso enfiar-me nas compras uma tarde. Não posso ir ao cabeleireiro mudar de look. Não posso ir a um terapeuta ou coisa que o valha. Não posso nada a não ser contar comigo e resolver sozinha este meu problema que já se tornou num enorme elefante azul plantado no meio da sala...

(Agora fui eu que aproveitei o balanço e me estiquei no texto... Sorry!!)

De Sara Felix a 29.01.2013 às 15:59

Nada disso... ao menos aproveita-se e expurga-se. :)

Não queria muito estender-me sobre isso assim em público, mas a questão da falta de dinheiro é óbvio que é um problema. As coisas efectivamente não estão fáceis para ninguém, e eu própria não sei durante quanto tempo conseguirei manter a terapia, que me faz bem mas é um processo lento e dispendioso. Mas, ao mesmo tempo, sem ela não sei onde irei parar. Tive de a começar depois de 15 dias em que estive literalmente no fundo do poço: quando estive de férias em Agosto. Engraçado que quando fui obrigada a parar (a suspender a ocupação da vida quotidiana) é que senti, efectivamente e sem margem para qualquer dúvida, que estava profundamente deprimida.

De resto, acredita, faz-me todo o sentido o que dizes. E eu também sei localizar no tempo, concretamente, quando tudo para mim começou. Às vezes não sei se a consciência é o primeiro passo em frente ou um presente envenenado... Útil mesmo era saber reverter o processo. :)

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