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Leite

29.09.11
Este post é sobre amamentação. É seguir em frente e fazer scroll down se é tema que não vos interessa... (mas não se vão embora, há aqui muito para ler!)...


No âmbito da Semana Mundial do Aleitamento Materno, a Mãe Feliz desafiou-me a dar o meu contributo para a "causa", contando as minhas experiências. Cá vai.

Ponto nº 1: eu sou uma pessoa pragmática por natureza. Nunca fiz da amamentação um cavalo de batalha. Nem antes, nem durante, nem depois. Acho que isto, analisando bem, é o que faz toda a diferença na forma como se vive esta fase.

Ponto nº 2: para mim, o aleitamento materno é importante, mas não é fulcral. Ou seja, estamos a falar de leite (que tem substitutos, que, embora não sejam iguais, são bons na mesma), não estamos a falar de ar (e toda a gente sabe que, sem ar... respirar, 'tá quieto).

Nunca pus a questão do aleitamento materno como opção. Para mim, amamentar era tão natural como mudar fraldas. Não foi uma escolha minha, não tive que andar a ponderar coisa nenhuma. Quando engravidei soube que, se pudesse, ia amamentar.

Quando a minha filha nasceu, a coisa correu naturalmente bem. Ela tinha "talento" inato, eu tinha leite. Entendíamo-nos bem. Mamou cerca de cinco meses e meio. Quando eu voltei a trabalhar deixei de ter tanto leite e o ciclo fechou. Até essa altura ela recusou todos os biberons que lhe dava, para testar as tetinas. Cuspia, pura e simplesmente. Depois houve um dia em que, a achar que ela tinha fome, lhe fiz um biberon de leite e ela virou aquilo como uma profissional. Lembro-me de estar sentada no quarto dela, a dar-lhe o biberon e a chorar, meio nostálgica com o fim de uma era. Passou. Ela cresceu bem com o leite materno e continuou a crescer bem com o artificial.

Com o meu filho, a mesma coisa. Dar de mamar não foi opção. Mamou menos tempo do que a irmã e, no dia em que bebeu o primeiro biberon de leite de lata não houve lágrimas. Eu estava em paz comigo porque sabia que tinha feito tudo o que podia para lhe dar mama. Mas quando não há, não há.

A única vez que tive chatices com o peito foi pouco tempo depois de a minha filha nascer. Peito super-cheio (linda imagem!), todo encaroçado. Valeu-me a Cláudia, que, via telefone, me explicou o que fazer. Aprendi. Resultou. O truque foi ensopar panos turcos em água a ferver, pô-los no peito e apertar até desfazer os nós. Consegui e aprendi uma lição valiosa, que já pude passar na prática a uma amiga que ficou em pior estado do que eu (e que eu tive que "ordenhar" porque ela estava tão desesperada que nem conseguia tocar no peito).

Eu não sou fundamentalista de coisa nenhuma. Acho que a amamentação deve ser encarada com naturalidade. Como diz a Maria de Lurdes, aquilo é dar de comer, não é ver passarinhos e rónhónhós, tudo belo e cor de rosa. É dar de comer a um filho, simplesmente. É por isso que sou um bocado avessa a lavagens cerebrais sobre amamentação (conheço bem de perto um caso que a coisa acabou com uma mãe com um brutalíssimo esgotamento por privação de sono, super-medicada, tudo porque no curso pré-parto lhe meteram na cabeça a ideia de que só as mães que amamentam é que são boas mães... ora o leite dela não satisfazia o miúdo mas ela, com aquela lavagem cerebral toda, recusou-se a dar biberon e o puto andou quase um mês a acordar literalmente de hora a hora para mamar. E ela sem dormir... e deu-se o "desastre").

As mães que não amamentam não são piores mães. As mães que não têm leite não são piores mães. Os bebés que não tomam leite materno não são necessariamente enfezados e doentes. Se sou a favor? Sou, claro. Em podendo e querendo, claro que sim. Se condeno que não o faz? Não, de todo...

Mas o que eu acho realmente fundamental quando se fala de aleitamento materno é isto: se têm dúvidas, perguntem. Se estão "à rasca" peçam ajuda a alguém que já tenha sido mãe. Não se fechem no casulo, não tenham medo de parecer más mães. Perguntem, falem, procurem ajuda. (E se precisarem da minha ajuda ou se tiverem alguma dúvida que achem que eu posso ajudar a esclarecer, o mail é o do costume e esta à disposição).


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