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Thirty-something

15.02.11
A última vez que fiz uma festa de anos como manda o figurino foi nos 27. Há 5 anos, portanto. Tinha acabado de fazer a minha tatuagem, tinha saído de uma relação de merda (na verdade tinha levado um brutalíssimo par de cornos), tinha resolvido comigo a questão dessa separação e sentia-me no topo do mundo. Tratei de tudo: convite personalizado, restaurante escolhido a dedo, tema. Foi um jantar óptimo, uma festa como eu queria. E foi a última.

No ano a seguir estava a ressacar do fim de outra relação (que acabou 4 dias antes dos meus 28 anos). No outro estava num patamar completamente diferente, com uma filha com dois meses. Depois idem. Depois a mesma coisa. Este ano...

Já nem sequer penso em festas de anos. Tento que o meu dia de aniversário seja meu. No ano passado tirei o dia de férias e aproveitei a sesta da miúda em casa da minha mãe para ir ao cinema. "Whatever Works", Woody Allen. Este ano peguei na mãe e nos filhos e fomos almoçar fora. Onde? Ao Dolce Vita. Não foi exactamente à minha medida (que teria ido enfiar-me no cinema a ver o "Black Swan"), mas foi à medida da minha vida agora. À noite os meus pais vieram jantar connosco e foi isto.

Depois insistem em perguntar-me se já recebi muitos presentes. Resposta: não, nenhum, zero. Este ano, por exemplo, a minha mãe trouxe-me nesse dia umas pantufas que já me tinha comprado há que tempos, porque lhe pedi que me comprasse umas quando as visse. O meu marido ofereceu-me um livro que eu escolhi, comprei, paguei, embrulhei e guardei no armário até ao dia 11. Ele não fazia ideia de que livro era, ficou a saber quando eu disse que ia buscar o presente dele para mim. Se isto me chateia? Não, nada. Porque as minha expectativas são nulas. Já sei que o meu marido não me oferece presentes. Não tem tempo para ir comprar, não sabe o que comprar, não compra nada. Antes de ele ter este trabalho (que eu odeio) tinha tempo, fazia questão. Agora não. Também isto mudou ao nossos 30. É a vida. Podia ser melhor? Podia. Mas também podia ser tão, mas tão pior...

E é isto: aos 30 deixei de ter expectativas. Aceito o que a vida me dá, corro atrás do que quero. Mas não conto com nada à partida, não tomo nada por garantido. Porque nunca se sabe...


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1 comentário

De Ana a 15.02.2011 às 20:00

Desejo-te AMOR :)

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