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Frente & Verso - Sobre o Bulyying

14.11.13

Verso - Margarida

 

Chamarem-me "margarina vaqueiro" deixou de ser um insulto ao décimo dia de aulas. Foi tão repetido até à exaustão que cedo aprendi a desligar e a não sofrer com isso. Foi a única coisa menos boa, aliás, com a qual me lembro de ter tido que lidar. Resolvi-a a de forma muito simples: o Vaqueiro passou a sair do meu nome, e regressou, anos mais tarde, quando comecei a trabalhar –e para que conste, adoro o nome. Ao menos ninguém se esquece.

 

A minha infância e adolescência foram razoavelmente tranquilas. Eu era uma miúda que não dava nas vistas e das vezes que gozavam comigo era porque tinha os dentes tortos – os meus pais abençoados resolveram isso com um aparelho -, porque tinha o cabelo cortado à rapaz [enfim, coisas das adolescência] ou então porque as maminhas só me cresceram muito depois das minhas colegas.

E não passou disto. Era boa aluna mas não a melhor, não era magra nem gorda, não era suficientemente alta para ser “girafa” nem suficientemente baixa para ser “anã”.  Ainda não usava óculos o que me livrou do “caixa de óculos” .

Fui passando pelos dramas do ‘bullying’ como quem passa pelos pingos da chuva – discretamente, sem dar grande crédito, mas sem sofrer muito com isso.

 

Também acho que dantes era mais fácil fugir-lhe: as crianças eram menos agressivas, os insultos ficavam na escola, vigiados, e em casa a vida voltava ao normal. Atualmente os telemóveis e a internet são veículos perigosíssimos que levam o ‘bullying’ para fora do controlo dos pais e educadores, e que acompanham os miúdos em todo o lugar. São sms, enxovalhamento público nas redes sociais, telefonemas sem controlo…uma quantidade de coisas que nos leva também a empolar insultos que há dez anos não passariam disso mesmo: insultos. Que toda a gente ouvia e com que todos nós lidávamos.

Mas há dez anos os alunos não batiam aos professores, os pais não pediam explicações pelas más notas dos filhos, os filhos respeitavam a autoridade e com sorte, quem insultava um aluno ainda levava um susto do pai (do ‘insultor’ e do insultado) para aprender a respeitar os outros. Eu sou uma felizarda por nunca ter tido problemas de maior. Mas também sou uma felizarda por ter visto que há dez – ou vinte – anos se lidava com a falta de respeito pelo próximo de forma muito mais séria.

Queira Deus que não tenhamos que chegar ao pontos dos EUA onde há um mês uma miúda de 14 anos foi considerada arguida por, pela prática de bullying, ter provocado o suicídio de uma colega. Action, réaction.

 

[O meu lado da história, aqui.]

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