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Multiplicando

24.01.11
Para início de conversa: obrigada a todos pelos votos de felicidades. O facto de não conhecer pessoalmente a grande maioria das pessoas que me lê e que acompanhou a minha gravidez não é impedimento para sentir o coração quente com as vossas palavras.

Já esqueci o quão desgastada andei no final da gravidez, do quanto me custou passar aqueles dias de espera. Na sexta-feira fizemos o que a médica disse e fomos ter com ela. Onze e meia da manhã. Fez-me uma manobrazinha de expulsão (quem já teve filhos sabe o que é, quem não teve... poupo-vos os pormenores) e deu-me um comprimido para induzir o trabalho de parto. Mandou-me ir andar e regressar dali a duas ou três horas para reavaliar. Tínhamos que ir comprar umas peças para o carro do miúdo portanto lá fomos andar para o Alegro. Meio-dia e meio. Contracções dolorosas de cinco em cinco minutos. E nós a andar. Lá nos despachámos e fomos para o hospital. Duas horas. A meio do caminho senti uma dor aguda, como se me tivessem arrancado um bocado de um osso. E fui o resto do caminho a contorcer-me de dores (para quem não tem filhos e quer ter, não vale a pena escamotear a verdade: o processo dói). Duas e meia. Entro nas urgências, explico o que tenho, a médica decide internar-me. Duas e cinquenta. Entro no bloco de partos, chamam o anestesista para me dar a epidural. Mais uma vez a epidural não me faz nada. Adormece-me as pernas mas não me tira as dores (sim, acontece). O poder que a epidural tem em mim faz com que as enfermeiras fiquem sempre abismadas: em meia hora faço sete dedos de dilatação (perdão pelo grafismo da coisa!).

Desta vez tive ainda mais sorte do que no parto da minha filha. Apanhei uma equipa fabulosa, preocupada, carinhosa. Ensinaram-me a respirar e a focar a força. Quatro e um quarto. Mandam-me começar a fazer força para ele descer. E eu ali estou, a fazer o que me mandam. Resolvo as contracções com apertões enormes às mãos do culpado, que, às tantas, teve que tirar a aliança, depois de ter ficado ferido nos dedos, à conta da tal força para resolver contracções. Cinco e um quarto. Força para expulsar. Cinco e vinte e cinco. A parteira percebe que ele vem com o cordão à volta do pescoço, mandam-me não fazer mais força, para elas resolverem a situação. Cinco e trinta e oito. Um bebé lindo, moreníssimo, perfeitinho, cabeludo, a cara do pai. Eu sem dores nenhumas. O pai a chorar copiosamente. Nós os três agarrados. A nossa família ainda mais completa. Um amor para sempre.


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48 comentários

De ✿✿✿ a 24.01.2011 às 18:21

Venho aqui todos os dias e nunca comento... mas este teu texto tocou-me. Quero muito ser mãe!

Muitos Parabéns!!!

De Lisie a 24.01.2011 às 18:25

acho tudo isto lindo e quero sem dúvida passar por momentos destes mesmo com muitas dores, desconforto e trabalho árduo. No fim vale sempre a pena e acredito que é sem duvida a melhor sensação do mundo. O texto está lindo!

De Andrêa a 24.01.2011 às 18:33

:)))

De Analog Girl a 24.01.2011 às 18:35

Que maravilha! Um beijo e os parabéns mais uma vez!

De marta filipa a 24.01.2011 às 18:38

"Um amor para sempre." :)

De Agridoce a 24.01.2011 às 18:58

Muitos parabéns aos papás :) Desejo-vos as maiores felicidades aos quatro!

De Pearl a 24.01.2011 às 19:01

Muitos Parabéns Marianne!
Muitas felicidades para os quatro!
Um beijinho enorme

De Diabo de Mulher a 24.01.2011 às 19:11

Muitos Parabéns à familia. Beijinhos

De BlueBlood a 24.01.2011 às 19:11

E pode-se conhecer o nome desse moreninho?

[Estava em pulgas por mais novidades :P]

De MPrag. a 24.01.2011 às 19:24

Que bela história com um final bastante feliz! :)

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