Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]



Erros

15.12.11
Premissa: toda a gente erra.

Todos, a não ser que sejamos a Madre Teresa de Calcutá (anyone? Não? Bem me parecia), tendemos a olhar mais para o nosso umbigo do que para o que o rodeia. Ou seja: vemos o nosso lado da história antes de qualquer outro lado. Olhamos a vida da nossa perspectiva e pormos os pés nos sapatos alheios não é tarefa fácil nem que ocorra muitas vezes. E, nisto, acontece repetirmos erros que apontámos a outras pessoas quando elas os cometeram. Mas agora, que somos nós a cometê-los, não somos capazes de os perceber e muito menos de os assumir.

Um exemplo: tive alturas, em namoros idos (coisas quase do milénio passado) em que, assim que a coisa se dava, eu morria para o mundo. Deixava de estar com os meus amigos, deixava de ter disponibilidade para programas de amigas, telefonava muito menos. É normal e expectável. Não quer dizer que seja correcto. Demorei muito tempo a perceber a dimensão do meu erro. Afastei-me das minhas melhores amigas e na altura nem me apercebi, entretida que andava com o meu umbigo (e com o do namorado, já agora). Bati com os pés na terra, não quando elas me chamaram a atenção para o facto (porque aí tive sempre justificação e resposta e mil maneiras de explicar o que se andava a passar, mas assumir a verdade... não), mas apenas quando a relação terminou e eu percebi que, agora que estava numa dança a solo, estava, na verdade, sozinha. Elas, com razão, tinham ido à vida delas. Não deixaram de ser minhas amigas, mas deixaram de estar lá todos os dias. Não, na verdade, não deixaram. Eu é que deixei de as procurar e comecei a achar que elas não estavam lá. Mas estavam. E eu aprendi com o erro. No dia do meu casamento, lembro-me perfeitamente de me terem pedido que não me afastasse e de eu ter respondido que não ia voltar a cometer aquele erro.

Hoje, casada e com filhos, os programas com amigas são muito mais raros, cortesia da falta de tempo e do excesso de tarefas. Mas, curiosamente, sinto-me muito mais próxima delas agora do que noutras alturas. Estamos perto, é fácil combinar qualquer coisa, nem que seja um cafézinho rápido. Tenho, acima de tudo, disponibilidade mental para isso: sei que me apetece estar com elas, sei que elas fazem parte da minha vida e sei que consigo arranjar meia hora para pôr a conversa em dia.

Mas é por já ter estado do outro lado, cega e só com olhos para o namorado da altura (e com trabalho e o resto da vida a correr) que me custa que, quem já me apontou (e bem!) o dedo agora faça a mesma asneira que eu fiz e ande longe. E custa-me essencialmente porque sei que há-de haver um dia em que a ficha cai e a pessoa se apercebe do tempo que perdeu. A amizade não desaparece nem se transforma (porque essa é a espinha dorsal das amizades verdadeiras). Mas as saudades magoam. E é isso que sinto: saudades das minhas amigas que, engolidas pelo vórtice da paixão e do trabalho e tudo o mais, delegaram para último plano a amizade que sabem que está lá para o que der e vier.


[Resumindo: tenho saudades tuas, miúda. Volta!]


Autoria e outros dados (tags, etc)


6 comentários

De Mia a 16.12.2011 às 14:04

Pois pá. já fiz o mesmo e arrependo-me. Mas de arrependimentos está o mundo cheio. Enfim, resta-me aprender com as minhas cabeçadas. O que arde cura. Queremos ser cada vez melhores é isso que nos valhe. A evolução.

De ana a 16.12.2011 às 14:28

Eu sou a quem sempre sofreu disso. Nunca o fiz, mas lembro-me quando namorava e uma amiga minha começou a namorar e afastou-se. Uma vez eu combinei com ela um lanche de domingo e vim de Guimarães para o Porto, deixando o meu namorado lá, no domingo de manhã para estar com ela. Encontrámo-nos e depois de uma hora juntas ela diz-me que tem que ir embora porque o namorado estava à espera dela.

Ainda hoje sou amiga dela, fui ao casamento de ambos e adoro-os e torço mesmo para que sejam felizes mas não me esqueço disso, porque ouvi, a chorar, a minha mãe a dizer-me que eu era a maior burrinha à face da terra. Não me considero burra, acho que eu é que estive sempre certa. Porque, parecendo cliché, os amigos ficam e os namorados vão e vêm.

Ainda hoje vivo coisas assim e continuo a manter a minha postura. Não fico com desejos de vingança, não alimento a mágoa - só na altura em que me dói mesmo muito - e sou capaz de perdoar sem ter que o dizer expressamente. As coisas passam. Só não passa o amor :)

De Jo a 16.12.2011 às 16:07

Acho que, acima de tudo, há que haver um equilíbrio. Percebo e concordo, não pode desaparecer tudo à nossa volta. Mas por vezes, do outro lado, do lado da amiga, também não há muita compreensão e cai-se no exagero.

De mari a 17.12.2011 às 12:26

tãooooo verdade ... é que os amigos estão lá ... quando o trabalho falha, quando o namoro acaba ...
era bom que todos o soubéssemos valorizar :)

De Cátia Oliveira a 17.12.2011 às 22:29

E quando não volta? :(

Ser crescido não é nada fácil...é o que é!

De B. Cérise a 20.12.2011 às 23:53

Tenho andado a pensar nisso também, desde que há quinze dias tive um ataque de choro no centro comercial quando cheguei à triste conclusão que os programas de amigas acabaram no momento em que apareceram namorados novos..Eu acho (para não dizer 'tenho a certeza') que não fui assim e que não deixei de querer estar com elas quando comecei a namorar.
Está a custar-me imenso lidar com esta situação...

Comentar post




Pesquisar

Pesquisar no Blog  








Para vocês





Partners







WOOK - www.wook.pt












Eu e os Livros

2013 Reading Challenge

2013 Reading Challenge
Lénia has read 2 books toward a goal of 30 books.
hide

Follow me!






Arquivos

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D