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Time lapse

28.02.14

Eu tenho um "problema" com o tempo que vai passando. Nem sequer consigo explicar isto muito bem, mas cá vai. Quando reencontro pessoas do meu passado, que não vejo ou com quem não falo há 15 ou 20 anos, custa-me muito dar o salto para os dias de hoje. Ou seja, para mim, aquelas pessoas continuam a ter a idade que tinham quando nos vimos/falámos pela última vez (e eu também, lógico).

 

Há dias percebi, por um comentário aqui, que uma ex-colega de secundário me lê (olá, V.!). Trocámos uns comentários e quando ela me diz que tem uma filha com dois anos e meio... aquilo não ligou. Fiquei ali, a pensar como é que é possível que nós, aquelas miúdas que passavam tardes no café, em torneios de sueca e a beber cerveja só porque sim (pai, mãe, é um facto... mas não faltei a muitas aulas por causa disto!), aquelas miúdas sem preocupações nenhumas, já sejamos mães de pessoas pequenas, já tenhamos vidas construídas, já não sejamos as tais miúdas de 15 ou 16 anos, completamente inconsequentes.

 

Eu tenho mesmo um problema com o tempo que vai passando. Custa-me aceitar que já lá vão 35 anos. Custa-me aceitar que há coisas que não voltam e que passou tão depressa. Não é que eu seja saudosista. Mas gostava muito de saber que dá para andar cá uns 200 anos e que 35 são só um pedacinho muito pequeno da vida que tenho para viver.

 

[P.S.: V., adorei reencontrar-te!!]

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Mais 5km

28.02.14

Já aqui disse: nunca quis correr uma Maratona. Mas sou exigente e acredito em mim, portanto tenho uma Meia-Maratona debaixo de olho. Está para breve? Não. Até lá, tenho muitas provas mais pequenas para correr. A começar no próximo Domingo: Rapidinha de Cascais, 5km. Mas achei que, mesmo para correr 5km, precisava de treino como deve ser. Não me ia mandar a correr 5km sem nunca os ter corrido fora de provas. Portanto tenho andado nisto. Esta semana corri os 5 na terça e hoje. Na terça a 33'40''. Hoje a 31'52''. Também acho que já aqui disse: quero muito correr os 5 abaixo dos 30'. No Domingo vou tentar. Tenho andado a retirar quase 2 minutos por treino, portanto acho que é possível. E se não for? Sem problema. Quero mesmo é correr na rua, em ambiente de prova, só porque sim. Objectivo? Desafiar-me. Ir para além daqueles que acho que são os meus limites (mas que sei que não são). 

 

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Conversas de homens

28.02.14

Isto foi o que o meu marido partilhou ontem no facebook dele. Acho a conversa demasiado deliciosa (e memorável!) para não partilhar...

 

5 da manhã. Estou para sair de casa e ir trabalhar, mas antes o ritual de todos os dias: dar beijo à mulher, à filha e tirar o mais novo da cama para fazer xixi.
Enquanto se alivia, toca na masculinidade e exclama:

 

- Pai, a minha pilinha tá muito grande e dura.
- Pois é.
- Porquê?
- É mesmo assim, 'tá tudo bem.
- A tua pilinha também fica assim grande e dura?
- Às vezes, filho.
- BOA, PAPÁ!!!!!

 

 

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Frente & Verso - Surpresa!

27.02.14

A Margarida adora surpresa...

 

Eu adoro surpresas. A sério. Na verdade nunca tive muitas, mas adoro. Acho que ser surpreendido é das melhores coisas que nos pode acontecer – mas admito que nem toda a gente fique tão entusiasmado com o desconhecido como eu. Por exemplo, sou incapaz de ver um presente de Natal antes do dia 24. Adoro guardar tudo o que me dão, embrulhado, e nem sequer tento descobrir o que é – há excepções quando os embrulhos são estranhos!!:) – porque adoro a surpresa da noite.

Adoro que me levem a jantar a lugares que não conheço, que me ofereçam bilhetes inesperados, e aposto que adoraria que me organizassem uma festa surpresa – não, isto não é um pedido. Este ano vou passar o aniversário fora. Está tudo bem ;)

Este gosto faz com que adore organizar festas surpresa para as pessoas. Adoro. Nada me dá mais gozo do que organizar uma super festa, fingir que não vai acontecer algo de especial e ver a expressão do surpreendido na hora certa. Já ia matando o meu marido do coração, já vi pessoas a recuar três passos, já vi amigas ficarem todas a tremer. Já levei os meus pais à Opera de surpresa uma vez, com eles a refilar o caminho inteiro – acho que lhes disse que íamos a uma loja qualquer. A expressão de enfado do meu pai e a de irritação da minha mãe desfizeram-se no final do primeiro acto, depois de terem entrado no Teatro um pouco a contragosto. Adoro que as surpresas façam as pessoas felizes. Adoro poder encontrar pessoas inesperadas para fazer surpresas e pedir ajuda de toda a gente. Por exemplo, oferecemos há um tempo um jantar em pleno Rio de Janeiro a uns amigos nossos. Estava tudo programado por uma amiga carioca. “Só tu é que farias uma coisa destas” é, possivelmente, a frase que mais gosto de ouvir.

Gosto realmente de surpreender as pessoas. E adoro ser surpreendida. Ainda sabendo que não é fácil – sou demasiado atenta. Mas lembro-me que quando o João me pediu em casamento, por exemplo, fiquei tão contente [e aparvalhada] por ter sido surpreendida que quase me esquecia de lhe responder.

Adoro, adoro, adoro surpresas. Se eu pudesse, era surpreendida todas as semanas e arranjava uma surpresa todas as semanas. Mas depois talvez se tornasse um pouco óbvio. O que era uma pena. Porque eu gosto mesmo mesmo!

 

[Já eu... bom, o meu lado da história está aqui...]

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Coisas boas

26.02.14

Ando bem disposta. Apaixonei-me por mim novamente. É um bocado narcísico, sim, mas faz falta. Ando orgulhosa das pessoas que sei que vou tocando com esta história que estou a viver. Quem lida comigo sente-me mais feliz. Ainda bem. Estava cansada do cinzentismo, do morno, do assim-assim. Eu mereço mais do que o assim-assim.

 

Tenho corrido mais. No domingo que vem vou fazer a Rapidinha de Cascais. São só 5km, mas isso para mim é épico. Até hoje, corri 5km três vezes, sempre na passadeira. Não custa? Claro que custa! E não é pouco! Mas no final, a sensação é inexplicável. Dia 16 volto a correr na rua, na Mini Maratona da Ponte. Vão ser 7km... mais puxado, é certo, mas não me preocupa tanto, porque vou ter uma lebre das boas nesse dia.

 

Os bolos... tantos, tão bom! Tem sido uma aventura (que tenho mostrado no Instagram, só). Tenho aprendido tanto! E tenho tentado sempre superar-me... e acho que não me tenho saído mal.

 

Entretanto, o blog. Acontece-me imenso durante o dia: aparecem-me posts à cabeça o tempo todo. Só que, graças à tecnologia, que me obriga a ter que ligar um portátil para escrever, eles ficam ali mesmo, na minha cabeça. Já disse: ando a pensar seriamente em mudar isto de plataforma e em voltar à base. Calha que ainda não consegui importar lá (no Blogger) os posts deste ano e meio de Sapo. Mas estou a tentar. E às tantas ainda mudo na mesma, mesmo sem posts importados! Queria ter tudo junto bonitinho, direitinho e tal. Mas se não der, que se lixe! Não posso e nem quero deixar isto ao abandono. Quero escrever mais, contar-vos mais, partilhar mais. Mas tem sido complicado.

 

[Vanessa, chama lá aí o Daniel, please, para ele me dizer que não ha nada a fazer...]

 

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Para abrir a pestana

20.02.14

Logo de manhã, à chegada à escola da miúda, um pneu furado. Rasgado, na verdade. Tau, assim, de chofre. Para acordar. Toca de desmontar o porta bagagens em busca dos apetrechos necessários e de começar a dar conta da situação. Porcas do pneu completamente agarradas, eu sem força para resolver aquilo. Ligo ao meu pai, numa de SOS. Entretanto aparece um senhor que ia a passar e que resolve tomar conta da ocorrência. Demorou uns 20 minutos a resolver o problema. Agradeço, entro no carro e ligo ao meu pai, para lhe dizer que já não é preciso ir ter comigo. Já ia a caminho e foi a minha mãe que atendeu. Cruzei-me com ele na estrada, voltou para trás. Troco de carro com ele (vou passar o dia a fazer piscinas e não confio naquele pneu suplente). Vou ao ginásio, treino, tudo normal. Chego a casa, almoço, começo a fazer um bolo, pego numa chávena que se engata numa flute (não sei como) e vai a flute pelo ar. Vidro all over the place.

 

Boa tarde.

 

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Frente & Verso - Aborto

20.02.14

Verso - a opinião da Margarida

 

Compreendo-o em três situações. Violação. Risco de vida para a mãe. Malformação do feto. Por principio!, sou contra. Não o considero uma questão de "liberdade de escolha", de "eu é que decido o que fazer com a minha barriga". Não consigo.

Também não acho que deva ser criminalizado - conheço pessoas que o fizeram e, embora discorde delas, não deixam de fazer parte da minha vida. De ser minhas amigas. Porque sei que o não fizeram de ânimo leve- e não!, isso não desculpa nem justifica mas ameniza a minha estranheza.

Custa-me, sinceramente, olhar para uma gravidez e considerar que só a mulher tem direito a decidir sobre ela: quem sou eu para 1) passar à frente do pai; 2) decidir matar um ser indefeso - e não vamos entrar na discussão sobre se é um bebé!, um monte de células ou coisa alguma. Nunca vamos chegar a conclusão nenhuma totalmente unânime sobre isso. Para mim é um bebé desde a concepção.

Sou realmente contra o aborto. Por principio. Como sou contra um homicídio premeditado. Não se é ou não a mesma coisa. Se podem ou não ser comparáveis. Sei que sou contra. E que a minha sensação de estar certa se adensa quando leio as notícias sobe o número ridículo de abortos que algumas mulheres praticam - como se fossem contraceptivos. Sei que sou contra o facto de pagar por eles, e de dar a uma mulher que aborta o mesmo tempo de baixa paga que a uma mulher que foi mãe - que sentido faz isso?

Sou contra, não o "direito de escolha" mas contra uma decisão que para mim é realmente acabar com uma vida. O direito de escolha começa - tem que começar - antes. Quando se tomam todas as precauções para não ter que o "sacar" quando já há um bebé - lá está!, para mim é um bebé.

Sei também que nunca tive que pensar, pessoalmente, sobre isso. Mas muito sinceramente? Duvido fortemente de que a minha opinião de alterasse.

 

[E a minha opinião, aqui.]

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"A Dieta das Princesas"

19.02.14

Ontem fui à apresentação do livro da Catarina - nem poderia não ir!

 

Há uma coisa que me aquece sempre o coração nos eventos-da-Catarina: ver sempre as mesmas caras. Caras que só vejo ali e que não conheço pessoalmente (de ter sido apresentada, isto é). São os amigos dela de sempre. Estão sempre lá. A rede é enorme. E forte. Invejo-lhe isso: a rede de amigos de sempre, que não tenho (assunto para outro post, voltemos à programação inicial).

 

Bom, casa cheia para aplaudir as conquistas da Catarina: o livro e o objecto do livro - a nova Catarina. Ouvir a Isabel Zibaia Rafael foi uma delícia. Ouvir a Catarina é sempre uma delícia. Claro que me emocionei (o termo certo é "chorei"). Claro que me revi numa data de coisas. Agradeci-lhe mentalmente por também eu já ter feito parte do percurso, muito impulsionada por ela - vide o post sobre a inspiração que está mesmo abaixo deste. Um percurso feito com recursos diferentes, mas ainda assim com conquistas feitas. Deliciei-me perante o beijo e o abraço que o Gonçalo, filho mais velho da Catarina, lhe deu quando ela terminou o discurso. Ri-me entre amigas, entre conhecidas, entre gente que gosta da Catarina a sério.

 

À noite, no silêncio, agarrei o livro e li metade. Lembrei conversas que fomos tendo durante o percurso dela, celebrei as vitórias dela "para dentro". Aprendi. Tive ainda mais vontade de não desistir, de me manter aqui, onde estou, a tentar ser mais saudável e mais feliz.

 

Obrigada, querida.

 

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Inspiração

19.02.14

Há muita gente que me inspira. Várias pessoas, várias áreas da minha vida, ums inspiração constante. São pessoas que, sem se aperceberem (a não ser que eu lhes diga - e eu faço questão de lhes dizer, em jeito de agradecimento, porque merecem saber), me fazem ser melhor. A questão não é ser melhor do que ninguém - não é isso que eu quero. É ser melhor do que já fui. Superar-me. Crescer. Evoluir. Sozinha não seria capaz - até porque não vivo numa caverna e tudo o que nos rodeia acaba por nos influenciar. Às vezes basta uma palavra, que pode nem ser dirigida a mim, mas que absorvo como se fosse. Basta um exemplo. Basta ver a felicidade nos olhos das outras pessoas.

 

Andei tanto tempo à procura de mim que às tantas deixei de saber onde me procurar. Estas pessoas, as minhas inspirações, foram uma espécie de farol: foram-me guiando, foram-me conduzindo aos caminhos que eu precisava de percorrer. Lido muito bem com o facto de ter estas pessoas a apoiar-me, ainda que seja eu a apoiar-me nelas.

 

O que me é totalmente estranho é ter alguém a dizer que eu também sou esta inspiração. Ter gente a ver o meu exemplo e a guiar-se por ele. Fico assim meio sem reacção, sabem? Dou por mim a perguntar-me como é possível que isto aconteça. Fico ali com cara de pescada, meio nhec, sem saber o que dizer, quando me dizem que se inspiram no meu exemplo. Agradeço, claro. E fico feliz - muito. Faz-me crer que tudo isto vale muito a pena, não só por nós, mas também pelos que nos rodeiam. Não recuso este papel nem me assusto com ele, mas ainda estou a aprender a aceitá-lo (um bocadinho o que acontece com os elogios, com os quais ainda não sei lidar e que me deixam sempre sem chão).

 

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A idade e o tempo

14.02.14

Há uns anos, perante uma paragem da chuva como a de hoje, agarraria em mim e rumaria a um dos meus sítios: uma esplanada perto da praia, Sintra ou Lisboa.

 

Hoje, perante a mesma paragem da chuva, fui pôr roupa a lavar porque, com a ventania que está, isto é coisa para secar até ao fim da tarde...

 

[E sim, isto tem o seu quê de deprimente...]

 

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Frente & Verso - Acampar

13.02.14

Verso - da Margarida

 

Quanto eu tinha oito ou nove anos pedi à minha mãe para entrar para os escuteiros. Durante dois anos tinha resistido à ideia – “A sério? Dormir no chão? – mas depois de visitar um Acampamento Nacional (ACANAC) em que as minhas duas irmãs participavam rendi-me às evidências: aquilo era muito mais que dormir no chão.

 

A minha experiência de campismo sempre foi a do selvagem: se fiquei uma ou duas vezes em parques de campismo foi muito. Mochila às costas, tendas e roupa para cinco (ou dez) dias e lá íamos nós, dormir ensanduichados numa tenda, durante o Inverno, e dormir ao relento, se preciso fosse, no Verão.

 

Os acampamentos tinham todos uma logística e uma ordem muito própria: chegar, despir a farda, montar a tenda. Estender os sacos-cama, fazer as construções. Se fosse um acampamento grande haveria chuveiros – e banhos em equipa… -, se não, banho de jerrican, ao frio – “O frio é psicológicos, o frio é psicológico, o frio é psicológico”, repetíamos enquanto sentíamos o sangue gelar nas veias – com a ajuda dos amigos que nos atiravam água pela cabeça abaixo.

 

Partilhei, em praticamente todos os acampamentos de Inverno, o saco-cama com a Francisca. Era a única forma de nós, miúdas friorentas até mais não, conseguirmos dormir uma noite de jeito. Aquilo implicava alguma logística e dava cabo das costas, mas sabe Deus como, conseguíamos caber as duas num saco-cama individual. No Verão, quando os dias começavam demasiado cedo, o truque era desaparecer dentro do saco-cama e fingir que continuava a ser de noite e que podia dormir mais uma hora ou duas.

 

Fui escuteira durante dez anos. Aprendi a tomar banho decentemente junto de outras pessoas e de fato-banho vestido; aprendi a dormir em cima de pedras, a fazer comida na fogueira, a fazer xixi a vinte passos da tenda se fosse de noite, a fazer caminhadas de 24h só com uma carta topográfica e uma bússola, a usar apitos e lanternas para pedir ajuda, a não me queixar e a chegar invariavelmente exausta mas felicíssima a casa. Todos os anos , acampava, pelo menos: no Carnaval, na Páscoa, no Verão – o grande acampamento) e no Natal. Fora um ou outro fim-de-semana em que também íamos. Foi assim durante cerca de treze anos.

 

Adorava acampar e sentir o cheiro do eucalipto fresco – e o sabor, quando caía dentro do arroz. Adorava a fogueira nas noites de fogo de conselho, as músicas cantadas ao luar, a mística de uma noite em campo. Adorava vestir os casacos dos outros quando estava a congelar, na certeza de que estava com, mais do que com amigos, com irmãos.

 

Tenho saudades de acampar. Tenho saudades, na certeza de que hoje não me sentiria tão confortável em campo como naquela altura. Mas tenho saudades. E aposto que quando os nossos filhos nos pedirem – e vão pedir, porque nós fomos os dois escuteiros, bem como as tias… - tenho a certeza de que vou com eles. Mas não para um parque de campismo. Vou com eles para  o meio de um pinhal ou de um eucaliptal ensiná-los a fazer uma mesa, a cozinhar num campingás – que agora não se podem fazer fogueiras – e a contar histórias bonitas ao luar. E vou odiar o dia em que voltarmos a casa, cheios de dores nas costas pelo terreno que nos esquecemos de limpar antes de montar a tenda. Por falta de prática.

 

[E a minha falta de amor pelo campismo, aqui.]

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(Nem sei que título dar a isto...)

12.02.14

Hoje, no balneário do ginásio, uma senhora com os seus 60 anos, enquanto se limpava depois do banho, começa a cantar...

 

"safada, perigosa, ela tem vontade de fazer amor"...

 

(Priceless...)

 

(E conseguir não rir perante isto?? Um esforço do caraças, só vos digo!!)

 

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35

12.02.14

Ontem fiz 35 anos. Primeira "medida": desactivar a notificação de aniversário do Facebook. Porquê? Porque sinto que preciso de quebrar um bocadinho o ciclo do egocentrismo. Eu sei que era o meu dia, aquele dia especial em que mereço ser mimada. Mas apeteceu-me descentrar. Quem sabia ligou, mandou mensagem, arranjou maneira de falar comigo. Quem não sabia não foi informado pelo Facebook (e isso não tem mal nenhum).

 

Escolhi passar o dia comigo, a fazer coisas de que gosto. Fui à loja de material de cake design aproveitar o desconto-de-aniversário. No regresso fui ao ginásio. Corri 5km em 35 minutos (menos 2 minutos do que o tempo anterior). Fiz mais uns exercícios e segui viagem. Próxima paragem: almoço em casa dos pais, com eles e com o filhote mais pequeno. Depois, à tarde, sessão de cinema a solo (eu e três casais de velhotes na sala de cinema). Fui ver o "Philomena", que amei - um filme delicioso, cheio de subtilezas e com uma Judi Dench fabulosa.

 

Depois fui buscar os miúdos e rumámos a casa. Jantar normal, em família. Serão a terminar um bolo e ler um bocado na cama. Fim de história.

 

35 anos. Não me lembro de me ter sentido tão feliz num dia de aniversário. Encontrei-me e isso nota-se. Estou bem comigo. Feliz. Mesmo feliz. Sei que sou capaz de tudo e isso é bom. Cheguei ao dia de ontem com o meu objectivo cumprido e isso rendeu-me uns quantos sorrisos. Sou feliz, já disse?

 

[Ah, e a minha mãe arranjou-me um bolo de aniversário giro: quatro pastéis de nata, com duas velas... um 3 e um 2. Era o que havia. Serviu. Não provei os pastéis, obviamente. Já nem consigo...!]

 

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Cate

11.02.14

Na semana passada estive num almoço de bloggers (que contarei depois que agora estou com pouco tempo). Uma das pessoas que conheci foi assim uma agradável surpresa: a Cate. Gostei tanto de falar com ela! Adoro gente que tem mundo, que fervilha. E ela é assim.

 

[Se não conhecem o blog dela espreitem. Vale a pena. E há por lá um passatempo bem fixe a decorrer...!!]

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Frente & Verso - Rádios

07.02.14

Verso - as preferências da Margarida

 

É automático. Assim que entro no carro a minha mão nem precisa que o meu cérebro ordena: o indicador pressiona o botãozinho da M80 e lá vou eu a ouvir as melhores músicas dos anos 70, 80 e 90 até casa. Claro que nos dias em que estou mais cansada ou triste escolho a Smooth. Mas normalmente essa é só para viagens maiores, em que preciso, por alguma razão, que a cabeça descanse e o corpo descontraia de um dia mais difícil.

Basicamente, sou uma velha. Sou. As minhas amigas gozam comigo, mas é assim que funciona: eu sou muito mais M80 e muito menos RFM. No máximo ando pela Comercial mas mesmo assim, é natural ficar farta ao fim de um tempo...se calhar nasci no ano errado, sei lá eu. Mas acho verdadeiramente que as músicas há 20 ou 30 anos eram mais giras que as de agora. A mim dizem-me mais. Não conheço metade das músicas novas que aparecem, acho péssimos metade dos hits que fazem sucesso Verões inteiros, e sou o arquétipo da amiga idiota que não conhece metade das músicas que passam numa discoteca quando vamos sair - pouco também, que, again, sou uma seca de pessoa que prefere ficar em casa, ok?

É ver-me a ouvir Abba e a saber as letras todas. Ou GNR. Ou Velver Underground. Ou The Doors. Agora, não me peçam para cantar o novo hit de Janeiro, ok? O que querem que eu faça? Tenho irmãs dez anos mais velhas e tornei-me extremamente permeável a músicas que, sinceramente, acho melhor. Melhor nem é o termo: é música que me diz mais coisas que as músicas da RFM. Matem-me por isso :)

No fundo, é difícil fazer viagens comigo. Vão ter que ouvir M80 ou Smooth FM a viagem toda, excepto à hora certa - aí mudo para a TSF e oiço as notícias. Sim, sou uma velha. Fazer o quê em relação a isso?

(Esqueci-me de mencionar que também gosto de ouvir a Antena 2 se estiver muito muito aborrecida.)

 

[E as minhas rádios, aqui.]

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Em jeito de whislist...

07.02.14

 

 [Ou então saía-me o euromilhões e eu podia comprar isto tudo na boa...!
E acho que este é o primeiro ano em que não estou nem aí para livros e afins...]
 

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[Mais do mesmo]

06.02.14

Hoje de manhã, no ginásio, um senhor levou uma balança a que só falta voar. Aquilo mede o peso, a massa gorda, a massa magra de cada braço, de cada perna e do tronco, a água, a gordura visceral, os ossos, o metabolismo basal e a condição física geral.

 

Lembram-se de eu ter dito aqui há tempos que estava com uns lindos 33% de massa gorda (ou seja, 1/3 de mim era toucinho)? Pois é: passado. Estou com 26,4% de massa gorda**, os outros níveis estão todos bons e o meu metabolismo basal* ronda as 1400 calorias/dia (na altura dos 33% andava nas 900 e tal calorias). Conclusão: vibrei!! Fiquei tão, tão feliz!!

 

* O metabolismo basal é a quantidade de calorias que queimamos em repouso. Ou seja, devemos ingerir menos do que isso, se estivermos em modo de perda de peso. O facto de o meu metabolismo basal ter subido é óptimo e deve-se ao desporto e aos termogénicos naturais que vou ingerindo e que aceleram o metabolismo. Acontece que eu não conto calorias, mas sei que ingiro menos de 1400/dia. Está explicada a perda de peso.

 

** Ainda não estou onde quero, obviamente. Quero muito chegar aos 18% de massa gorda... e hei-de chegar!

 

[A seguir, um post sobre comida maravilhosa. Só para desenjoar!]

 

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Run, Forrest, Run...

05.02.14

Primeiro dia de corrida da vida, em Junho ou Julho de 2011, 333m corridos de seguida. Ridículo, pensei eu na altura. Nem por isso: acho que é normal. Quando não nos mexemos, não é suposto correr uma meia maratona assim, sem mais nada.

 

Quando comecei a correr no ginásio a coisa foi devagar. Corria 1 minuto, andava 2, corria mais 1 e morria. Eu sabia que era temporário e que um dia havia de conseguir correr como deve ser, uma distância normal e decente. No final de Novembro estava a correr mais ou menos 15 minutos, o que dava pouco mais de 2km. Em Dezembro não treinei e sabia que o preço a pagar seria voltar à estaca zero quando recomeçasse. Não me enganei. Janeiro começou a medo, devagar. No primeiro dia acho que aguentei uns 2 minutos, se tanto.

 

Há duas semanas, já com outras duas de corridas sistemáticas, estava a correr 750m em 6 minutos e achava que ia morrer a seguir. Depois, um dia decidi que ia correr 20 minutos sem parar. E corri. Sem dramas. A cabeça a mandar nas pernas, a vontade a dominar o cansaço. Fui aumentando os tempos e as distâncias e na semana passada fiquei super feliz com 4km corridos em 29 minutos. Mas queria mais: queria os 5km. Porque quero correr na rua, quero correr provas, quero provar-me a mim mesma que sou capaz de fazer uma prova "oficial" sem andar e sem ter um achaque qualquer.

 

Hoje entrei no ginásio disposta aos 5km. Aqueci 250 metros numa passadeira, enquanto a "minha" estava ocupada (só gosto de correr numa passadeira, que é velha e rija e que se parece mais com correr na rua). A outra senhora acabou a caminhada dela e eu fui. E corri 5km. 37 minutos. Um exagero de tempo, eu sei. A seguir hei-de reduzir isto porque quero chegar à rua e correr os 5km abaixo dos 30 minutos. Isso faz com que tenha que correr a 10.1km/h. Hoje corri 4km a 8.2 e o último a 8.3 (Em Novembro já estava a correr a 9.2, e nalguns dias a 9.5).

 

Corri certa de que me ia cansar. Ontem fiz um treino de pernas que não me deixou em bom estado e sabia que me ia custar. Mas corri na mesma. Os primeiros 3km foram dolorosos, as pernas a queimar e a querer desistir. A cabeça a dizer que já passa e que é para continuar. Depois dos 3km deixei de sentir as pernas e corri com a cabeça. Muito menos resistência da minha parte. Deixei-me ir. Aos 5km parei a máquina e fiquei a saborear aquela minha pequena grande conquista. Eu quis correr os 5km e fui capaz.

 

Não estou a seguir nenhum plano de treino (há dezenas na net), estou a seguir o que me dizem as pernas e o que me diz a cabeça e o coração. E estes dizem-me que sou capaz de tudo, até da Maratona - que nunca quis correr e que continuo a não querer correr (não por medo mas porque acho que correr 4h seguidas é a maior seca da vida). O meu objectivo é correr uma prova de 5km, depois uma de 7km e depois uma de 10km. No fim disto, em calhando, inscrevo-me numa meia maratona qualquer e faço os 21. Logo se vê. Para já, conquistei o meu objectivo. E é tão, tão bom!!

 

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Um giveaway espectacular!

04.02.14

A Ana Luísa é uma fotógrafa de mão cheia e de um talento ímpar e está a oferecer um trabalho maravilhoso, através do blog dela. A sério, vale mesmo, mesmo a pena! Vão lá espreitar!!

 

 

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Aprender a ler

04.02.14

Desde que a minha filha começou a interagir com objectos que fiz questão de a rodear de livros. Já tem uma biblioteca considerável, entre livros que lhe comprei eu e livros que lhe foram oferecendo. Quando achei que já tinha idade para isso comecei a levá-la à biblioteca, numa espécie de momento mãe-e-filha, muito nosso. Ela adora. Já há muito tempo que não a levo a ouvir a hora do conto, mas tenho que tratar disso porque já temos saudades.

Ela sempre me viu a ler muito. Sempre me viu com um livro na mala, porque eu não vou para lado nenhum sem levar um livro para ler. Sempre me viu a ler nas férias e na cama, antes de dormir. Sempre lhe lemos histórias antes de dormir, e só em dias de maior cansaço saltamos a rotina e passamos logo ao beijinho de boa noite. Andava ansiosa por começar a ler. Já começou. Há umas duas ou três semanas sentei-me ao lado da cama dela, com ela já deitada, e pedi-lhe que me lesse uma página sozinha. Ela leu. Ajudei nos casos que ela ainda não aprendeu (os nhe, lhe, que e afins). Ela percebeu que é capaz sozinha.

Passou a despachar-se depois de jantar, para poder ir ler um bocadinho. Lava os dentes, veste o pijama, deita-se, acende a luz, escolhe um livro e fica a ler sozinha, até lhe dizermos que é hora de dormir.

 

Adoro. Adoro ver que ela gosta mesmo de ler. Adoro ver que ela já tem o hábito da leitura. Adoro ver que ela quer mesmo aprender mais para poder ler cada vez mais. Adoro saber que ela vai estar sempre bem acompanhada, enquanto houver livros bons para ela ler. Adoro sabe que vai passar momentos maravilhosos nas páginas dos livros que ler.

 

[Para mim, leitora compulsiva e viciada, pessoa que já se perdeu milhares de vezes nas histórias de pessoas que não existem, mulher que já foi mil coisas através das personagens dos livros que leu, é um orgulho sentir que a minha filha vai pelo mesmo caminho. Esta era a única característica que eu fazia questão que ela herdasse. Herdou outras (celulite, por exemplo - totalmente dispensável!), mas esta é a que me faz babar de orgulho!]

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