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Bimbing

31.12.09
A tarde hoje vai ser bimbing and cleaning (duas semanas sem dona Alice... ninguém merece!!).

Bimbar-se-á gratinado de bacalhau com camarão, bolo-rei, farófias e mousse de papaia. Limpar-se-á a eventual chafurdice que daqui resulte e mais umas quantas áreas que precisam mesmo, mesmo, mesmo!

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Feliz 2010

31.12.09

Sofia, eu e Lia, by Spoil

Que 2010 seja um ano de mudanças, de coisas boas, de evoluções, de melhorias, de aprendizagens, de serenidade, de revoluções, de força, de magia, de sorrisos, de reflexões, de dias bons e de dias melhores ainda. E nos dias que não forem assim, que nos lembremos de tudo o que está para trás e que tenhamos a certeza de que o que vier só pode ser melhor.

Eu sei que vou ter um 2010 diferente do que foi 2009. Mais cheio, mais repleto, mais feliz, mas também mais exigente, mas desafiador, mas aguerrido. Mas é disto que é feita a vida. E cabe-nos a nós dar-lhe a volta e aprender a retirar de cada coisa a melhor parte.

Para 2010 desejo continuar como estou: com uma família feliz (e, espero, mais feliz ainda), com os melhores amigos do mundo (como prova a foto!), com trabalho, com toda a gente de quem gosto saudável e feliz. E espero mesmo (esta é do fundinho do coração), que a minha Lia me apanhe e que a minha Sofia comece a construir uma estrada que a leve ao lado de lá do arco-íris. Love you, girls (e temos que continuar com as nossas LJ sessions!!)!!

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Doze anos

30.12.09
Há doze anos passava a estar autorizada a conduzir veículos e, consequentemente, a fazer disparates por essas estradas fora.

Passaram doze anos, 40 operações STOP (foram mesmo 40, não estou a brincar), 3 acidentes (nenhum culpa minha... ok, vá, um foi mais ou menos culpa minha, o tipo que ia à frente travou muito de repente) e 5 multas (3 de estacionamento, duas por falar ao telemóvel). Continuo a adorar conduzir.

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Coisas que toda a gente deve ler antes de morrer

30.12.09
(Seguindo a sugestão da Butta - e há que dizer que vocês são uns leitores do caraças (no bom sentido) que me dão umas ideias/sugestões brilhantes every once in a while -, cá vai...)

Ensaio Sobre a Cegueira, José Saramago - porque é um soco no estômago, porque nos mostra quão baixo pode descer a raça humana, quando o que conta é a sobrevivência. Continua a ser, anos e anos depois, livros e livros depois, o meu livro preferido.

Morreste-me, José Luís Peixoto - porque é pura poesia e dor e mágoa e saudade e muito pouca gente escreve como o José Luís Peixoto.

A Sombra do Vento, Carlos Ruíz Zafon - Porque há um encantamento especial neste romance. Quem ama Barcelona passa a amar ainda mais e quem não conhece fica com o bichinho instalado...

A Um Deus Desconhecido, John Steinbeck - Um clássico brilhante.

Trilogia de Nova Iorque, Paul Auster - não é um livro fácil, mas é Nova Iorque e é a essência da raça humana que está ali esplanada.

A Casa Quieta, Rodrigo Guedes de Carvalho - Porque é tortuoso, pouco óbvio e acaba por ser um desafio.

Memórias de Uma Gueixa, Arthur Golden - Sublime, poético. Um romance que se passa num mundo diametralmente oposto ao nosso mas se calhar bem mais parecido do que possa aparentar...

Os Pilares da Terra, Ken Follett - Isto é épico. É fascinante a forma como se entra na história, que se passa na idade média, e se vive aquilo como se estivéssemos lá dentro.

Este é o Meu Corpo, Filipa Melo - Cru, duro. Muito, muito bom.

O Deus das Pequenas Coisas, Arundhati Roy - Mais um soco no estômago, desta vez dos lados da Índia...

A Insustentável Leveza do Ser, Milan Kundera - Uma história de amor intemporal, daquelas que marcam (e que eu me esqueci de nomear, por isso, obrigada Miss Strawberry!!).

Um Amor Feliz, David Mourão-Ferreira - Mais uma história de amor. Li este livro demasiado nova para o ler (tinha uns 18 anos) e sinto que, quando o reler, vai ser tudo novo. Mas mesmo assim ficou marcado porque é magistral.


Há mais livros que são brilhantes mas que, pronto, se se morrer sem os ler, paciência. E aposto que se voltar a este post daqui a um ano terei com certeza alterações a fazer... (2010 será o meu ano dos clássicos. Quero ler o "Anna Karenina", o "Guerra e Paz", o "Crime e Castigo" - tudo de autores russos -, "O Nome da Rosa", o "Ensaio Sobre a Lucidez", "As Intermitências da Morte", "O Ano da Morte de Ricardo Reis" e o "História do Cerco de Lisboa"... tudo coisas fáceis, portanto... O que vale é que já sei que, destes, acabo por só ler um ou dois e o resto hão-de ser coisas que comprarei entretanto...).

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Para a Analog Girl

29.12.09
Trilogia Millennium: muito boa mesmo. Até ver, o meu livro preferido foi o 1º. Mas as primeiras cento e tal páginas custam a ler... mas vale a pena insistir e não desistir logo. Depois dessas 100 as outras todas (dos três livros) lêem-se de enfiada!!

Aconselho mesmo!!

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Mau gosto

29.12.09
Acho uma falta de chá tremenda pespegar-se no blog uma foto seguida de uma lista de quem deu o quê, no Natal. Cada blogger faz o que quer. Certo. Mas acho deselegante. E vem isto a propósito de quê? De nada, como é costume (e ainda vocês ligam àquilo que eu escrevo... tsss... tsss...)...

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Em jeito de balanço...

29.12.09
... este foi um ano assim-assim. Do lado mau, a porcaria da crise que afectou a sério o meu trabalho e que nos deu um ano de mãos na cabeça, sempre a ver onde é que acabava o desastre. O ano está a terminar mais ou menos como começou, sendo que houve um período claramente melhor a meio do ano.

Do lado bom, o casamento, a cria, os amigos, a família, os momentos novos, os sítios novos que conheci, os livros que li, o que escrevi (e devia ter escrito bastante mais, mas enfim...)...

Foi um ano assim-assim. 2010 será um ano muito melhor.

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Só para dizer...

28.12.09
... que continuo a não atinar com aquela espevitada que atende por Inês e que calha em cantar no Ídolos.

E, já agora, reitero a minha admiração pelo Filipe, que saiu lá da comfort zone dele, deixou o grunge de lado e se mandou ao Michael Jackson como se aquilo fosse mesmo a praia dele.

E da Carolina, também gosto da Carolina. E não gosto da Catarina que calhou em ir andando lá para a vidinha dela ontem.

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Mai nada!

28.12.09
Uma pessoa ainda vai assim a fazer a curva para 2010, já vê 2010 lá à frente mas ainda faltam uns bons metros para lá chegar... e começam a cair-lhe no colo os desejos para 2010. É a chamada antecipação. Timing. Pimba. Ou isso ou meteu mãos à obra e tratou de concretizar coisas que acabam por ficar sempre na gaveta das promessas-por-cumprir.

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O Natal pequenino

28.12.09
("pequenino" no título de um post acho que é uma estreia...)

Eu não entro na corrida para ver quem dá o presente maior, mais guinchante, mais gritante, mais tudo à minha filha. Recuso-me. Por isso, na noite de Natal, ela abriu uma data de livros e um DVD, oferecidos por nós. E mais 300 coisas, cada uma maior, mais guinchante e gritante que a anterior, dada pelo resto da família. Portanto agora tenho o roupeiro dela e a arrecadação atafulhada de tralha que ela só vai voltar a ver algures lá para Maio. Mas tenho uma data de histórias novas para lhe contar. E ontem, quando entrou em casa, tinha um quarto semi-novo à espera. E no meio do quarto estava um quadro para ela escrever. E ali ficámos, as duas, a pintar, a desenhar e a escrever. E as tralhas gigantes, guinchantes e gritantes arrumadas dentro da caixa dos brinquedos...

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Do Natal - o after party

28.12.09
Depois do jantar de Natal com as best-friends (um sushi delicioso que levámos para casa da best L. e do seu namorido), depois da ida ao Silk para a festa de Natal (e eu já não ia a um sítio apinhado de gente há uma vida, portanto estranhei - mas amei), na manhã (tarde, na verdade) seguinte ia perdendo o comboio - mas não perdi. Fui para a terra do marido. Pensava eu. Ele foi buscar-me ao comboio e, surpresa, levou a catraia. E embicou para uma estrada que eu não reconhecei. E que só estranhei quando, passado um bom bocado, vi a indicação de que a terra dos meus pais ficava a 14km. E perguntei. Ele disse que íamos ver os meus pais. Tranquilo. Com o detalhe de que os meus pais estavam a anos-luz da terra, atrasadíssimos como é costume. Ali fomos ficando, decidimos que ficávamos para jantar e que os avós viam a neta antes do Natal.

A meio da tarde disse que ia ao carro buscar o meu livro, para me entreter um bocado. E ele disse que tinha trazido o saco para cima e que estava no quarto X. E eu lá fui. E vi malas, sacos, tudo e mais alguma coisa. E fui perguntar o que era aquilo. E ele disse

Surpresa... Só te quero ver feliz. E sei que estavas muito triste por irmos passar o Natal sem a tua família. Portanto, passamos o Natal aqui...

E eu chorei. E depois disso o Natal foi feliz, como todos os Natais...

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Um presente de Natal...

22.12.09
... foi o que acabei de receber!!

Um telefonema da Antena 3, a desafiar-me para contar uma história de Natal. Na Prova Oral de dia 24, pois!

Portanto, algures entre as 19h e as 20h, 5ª feira... na Antena 3!

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Das (minhas) amizades

22.12.09
Eu não sou amiga de passar a vida aos beijos e abraços aos amigos, nem de ligar 1359 vezes por dia, nem de mandar 3000 mails, nem nada disso. Também não sou amiga de alinhar em tudo, de ir a todo o lado, de inventar só porque sim. A minha faceta de amiga colide com a minha faceta de bicho do mato mais vezes do que eu gostaria. Mas as pessoas de quem sou efectivamente amiga sabem que me têm ali, faça chuva ou faça sol, disponível 365 dias por ano. Não esperem que eu ande a rastejar atrás delas por notícias, não me peçam que seja sempre eu a dar passos porque isso não vai acontecer. Mas, aconteça o que acontecer, estou lá. Onde e quando for preciso. Seja para aturar uma bebedeira, seja para enxugar lágrimas, seja para celebrar coisas boas. Estou lá. Não esperem também que eu me queixe (muito) do que de mal me corre na vida, que com os meus males posso eu bem e não sou de "maçar" ninguém com eles. Mas sei pedir ajuda quando preciso. Sei ligar o nine-one-one das amizades e falar. Para mim, uma amizade não se mede em 50-50. Não dou 50 à espera de receber 50. Nem me acho obrigada a dar 50 quando mos dão a mim. Sou mais de dar 100 e não receber em troca. E de receber 100 e dar 5. Para mim, uma amizade não é um comércio-justo (no sentido medieval do termo).

É por isso que, se tiver que os contar, acabo com uma mão cheia de amigos, apenas. Cinco. Daqueles que pode vir o fim do mundo que eu sei que vão estar lá. E a quem eu, mesmo que esteja quietinha no meu canto, devoto tudo o que tenho de melhor (e de pior também, que eles também servem para isso, ou achavam que era só para os mimos?).

Tenho, claro, mais amigos. E sou amiga de mais gente - que, mesmo eu não ligando às 3 da manhã se estiver aflita, sabe (ou devia saber) que eu estou lá para o que vier. Mas estes são aqueles a quem confio chaves da minha vida. Eu, que, apesar do espalhafato, sou muito reservada, abro portas sem reservas a estes cinco amigos.

Hoje, porque o João (que é um dos cinco) começou a puxar por mim e me levou a pensar nisto, tenho que os nomear (e agradecer). Porque a nossa amizade merece, claro! Portanto, Mário, Sofia, Lia, Ana e João, vocês são a minha mão-cheia-de-tudo!!!

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Entretanto...

21.12.09
... ali ao lado, na cozinha, a rodar... a sexta dose de doce de abóbora. Desta vez com nozes. Esta é a dose dos amigos!

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Pessoas certas e pessoas erradas

21.12.09
Toda a gente tem pessoas certas e erradas na sua vida. E toda a gente tem pessoas potencialmente certas que calharam em aparecer na altura errada. Nada de novo até aqui.

Eu tenho imensa gente certa na minha vida mas que, por uma ou outra razão, se revelou errada. Pelos timings, pelos objectivos de vida, pela forma de encarar as coisas. Tenho, por exemplo, um ex-namorado (com quem não falo há imenso tempo - mas tenho pena), de quem tenho imensas saudades, de quem gosto imenso, de quem me considero amiga para a vida. Aliás, dos meus ex-namorados poucos há (err... na verdade acho que só há um) de quem fujo a sete pés, bato com os dedos todos na madeira, faço o que for preciso para não o ter nem perto nem longe. Váderetro. Adiante.

O tal ex-namorado em particular. Tipo muito boa onda, com um humor fantástico, mais maluco do que eu, sempre dois passos à frente, sempre na maior. Porreiríssimo, atenciosíssimo, super-carinhoso, meiguinho e tuditudo. Mas.

Na altura em que o conheci, por intermédio da mãe do filho dele, de quem eu calhava ser amiga, ele estava decidido a não repetir a experiência - de ter filhos, isto é. Foi pai cedo, o filho dele chegava bem, não queria mais. E isso, ao fim de algum tempo, foi o que nos separou. Pode parecer idiota mas, para quem queria muito ter filhos, estar com uma pessoa que não queria de todo (não era "eventualmente, quem sabe, um dia...", era "não, não e não!") não fazia sentido. Acabou por não fazer sentido. Apesar da paixão que tinha por ele, apesar de nos darmos lindamente, apesar de tudo o que estava no lado de lá da balança, o que estava no lado de cá pesava bem mais. Porque eu queria mesmo ser mãe e não me passava pela cabeça não ser só porque ele não queria. Portanto, cada um à sua vida, paz à sua alma, amén (salvo seja que, segundo sei, está vivo e recomenda-se).

E pronto, era isto. Podia ter sido certo. Acabou por ser errado. No hard feelings, amigos como dantes.

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Oh god...

21.12.09
Mais logo aguarda-me uma conversa telefónica. Em francês. And from all the things I could be saying, the one that takes on my mind right now is... Fuck!

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Ainda do Natal que está a chegar

21.12.09
Este será o meu primeiro Natal sem os meus pais. Eu, filha única sem manias de filha única, independente, desprendida, arraçada de tractor, estou morta por dentro por saber que vou estar sem os meus pais. Eu sei que tenho a minha filha e tudo o resto. Mas há uma parte de mim onde, neste assunto, impera o ser filha. E sei que aos meus pais vai custar. Porque eles são pais de filha única, com poucas manias de pais de filha única, independentes, desprendidos e arraçados de tractor. Mas passar o Natal sem filho nenhum cheira-me que não deve ser grande coisa...

[E para o ano é em minha casa. Quem quiser ir, vai. Quem não quiser, não vai.]

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Ainda o doce de abóbora

21.12.09
Tal como previsto, saí da cozinha às tantas. Aquilo teve que levar uma esfrega das antigas, havia doce por todo o lado: fogão, bancada, parede, chão.
Mas ficou tudo um mimo. Os frasquinhos, as etiquetas com os nomes das pessoas, tudo, tudo. Até dá pena oferecer aquilo (não dá nada, estou a brincar)!

Hoje trouxe um frasco para o trabalho. Vou ver quanto tempo aquilo dura...

(Para quem quiser saber: 1kg de abóbora, 600gr de açúcar amarelo - já roubei na receita, que mandava pôr 800gr -, três paus de canela, três casquinhas de limão. Abóbora 15 segundos na velocidade 5. Depois junta-se o resto, meia hora, temperatura 100º, velocidade 1, depois mais 22 minutos temperatura Varoma, velocidade 1, para apurar (convém estar sem copinho, para evaporar a água, e é precisamente isto que faz a chafurdice toda). E está feito!)

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Doce de abóbora

20.12.09
Estou a fazer doce de abóbora com pinhões. Se considerarmos que cada dose demora cerca de uma hora a fazer e que estou a acabar agora a quarta dose e que ainda me falta uma dose para terminar e que pelo meio fiz o almoço (mas recuso-me a fazer jantar, a churrasqueira aqui de baixo serve é para isso), dá para ver quantas horas de cozinha tenho hoje, não dá?

Depois das horas de cozinha efectivas ainda devo ter mais uma hora e meia de limpeza a fundo, tal o grau de calamidade que aqui vai. É que o doce, para apurar, tem que ferver. E o que ferve tende a salpicar. E eu tenho TUDO salpicado de doce de abóbora.

Mas o doce está uma delícia e vai servir de prenda de Natal para umas 20 pessoas, portanto nem tudo é mau!!

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Do Natal

18.12.09
Antes.

Alentejo profundo, na casa dos meus avós maternos. Umas 15 pessoas à volta da lareira e na braseira que havia por debaixo da mesa de jantar onde cabem, no máximo, umas 7 pessoas (e já muito apertadas). Jantava-se por turnos. Ao meu pai era sempre deixado o lugar mais próximo do lume e meia hora depois era vê-lo completamente afogueado mas nada o fazia sair dali. Jantava-se bacalhau com couves, coisa que eu e as minhas primas odiávamos. Estava sempre muito frio, mas a porta da cozinha estava sempre aberta por causa da lareira. Antes da meia-noite chegava a nossa hora de dormir. E nós íamos, ansiosas pelo Menino Jesus (o Pai Natal é coisa em que nunca acreditámos). Fingíamos que dormíamos. Depois alguém batia à janela e chamavam-nos; tinha chegado o Menino Jesus [o tempo era o necessário para que toda a gente pusesse tudo o que era presente junto à lareira, nos sapatos que lá tínhamos deixado. E nós, eufóricas, saíamos do quarto e lá íamos, em grande excitação, abrir tudo. Lembro-me bem do Natal em que recebi um gravador de cassetes e uma cassete dos Onda Choque - devia ter uns sete ou oito anos. Lembro-me de ficar sempre triste porque os meus presentes eram sempre mais fraquinhos que os da minha prima. Sempre. E lembro-me de gostar de ficar sozinha no quarto, a brincar com as minhas coisas novas. Havia sempre roupa para estrear no Natal: era comprada com a máxima atenção e era um luxo que só acontecia três ou quatro vezes por ano: nos anos, na Páscoa, para a festa da Aldeia e no Natal. Quatro conjuntos novos por ano. No dia seguinte lá íamos, com os vestidos novos, ao café, para mostrar a roupa - com o frio que estava só podia ser mesmo para isso. Depois, quando regressávamos à cidade, a primeira visita era a casa dos meus avós paternos, para dar beijinhos e entregar presentes. E lembro-me de ficar sempre triste porque os meus presentes eram sempre mais fraquinhos que os dos meus primos. Sempre. Mas a minha avó fazia bifes de peru com batatas fritas para o almoço e isso pagava tudo - ainda hoje os bifes de peru da minha avó e aquelas batatas fritas são especiais. Era o Natal.

Depois.

Alentejo profundo, na casa da minha tia materna mais velha. A mesma família, mais os elementos que entretanto se juntaram, menos o meu avô. A minha avó a aprender a mexer no comando da TV. A minha tia mais velha a aprender a jogar Uno. Jantava-se bacalhau com couves e havia um excesso absurdo de doces por onde escolher. A primeira coisa que eu fazia quando lá chegava era vestir o pijama e o roupão, calçar as pantufas e sentar-me à lareira a ler o livro do momento. Pouco interessada em presentes. Depois, à meia-noite, uma gritaria insuportável, uma guerra surda para ver quem dava à minha prima mais nova o presente mais espectacular. E eu a insistir com os meus pais, ano após, ano para lhe darmos livros - e consegui fazer dela uma amante dos livros, coisa de que ela me "culpa" sem pejo. Lembro-me de ficar sempre pouco surpreendida por perceber que os meus presentes eram o que sempre foram. Depois mais jogos de Uno e de Trivial e do que quer que fosse que alguém lhe tivesse oferecido (à minha prima mais nova). No dia seguinte toda a gente ia beber café e eu, cada vez mais friorenta, não saía da beira do lume e continuava a ler. No dia seguinte almoçávamos nos meus avós paternos, que entretanto foram para lá viver (para a mesma aldeia, quero dizer). E voltávamos a Lisboa, eu com mais uns quantos livros na mala, todos com a sensação de que é assim que deve ser o Natal.

Depois.

Alentejo profundo, já sem a minha avó materna. Natais mais tristes, a minha prima mais nova cada vez mais velha, a espectacularidade dos presentes dela a atingir níveis absurdos, a minha falta de paciência para gritarias cada vez mais flagrante. Natais a pensar apenas que nunca mais era hora de ir dormir. E no dia seguinte os almoços nos meus avós.

Depois.

Nasceu a minha filha. Morreu o meu avô. Tudo isto demasiado próximo do Natal. Natal cá, em casa dos meus pais. O mais feliz de todos, por ela. O mais triste de todos, por ele. Nunca me esquecerei de que o meu avô morreu no último dia em que eu "deixava" a minha filha nascer. Nem de propósito. O último Natal sem o namorado, para quem aquele foi o último Natal só com a família dele.

No ano passado.

Alentejo profundo, em casa dos meus tios. Demasiado barulho para uma criança tão pequena, demasiada confusão para mim. Almoço do dia de Natal em casa dos sogros, na terra. Demasiada confusão para ela, demasiado barulho para mim.

Este ano.

Noite de Natal na terra dele. Almoço de Natal na casa da minha tia mais velha. Vazio. Saudades do meu avô, tantas. É isso que marca o meu Natal: as saudades que tenho do meu avô. Apenas isso. Para mim, o melhor presente seria mesmo tê-lo de volta. Ou reviver a minha infância com ele. Foi o meu avô que fez da minha infância uma memória feliz.

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Hoje

18.12.09
Uma chuvada do caraças (e o difícil que é andar com uma miúda de 13 quilos mais sacos ao colo). Um frio do caraças. Muito pouca vontade de sair de casa nos dois dias que aí vêm. Muitas solicitações: pequeno-almoço com as best-friends e compras de manhã, depois festa de anos à tarde, depois festa de anos à noite. Domingo de recolhimento com direito a uma visita certa e outra que logo se vê, como já é apanágio.

Hoje quero mais é vestir o pijama, calçar as pantufas, embrulhar-me no edredon e ficar no sofá a ver as séries em atraso. Hoje não estou nos meus dias. Mesmo.

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(A)Normalidade

17.12.09
Confirmo (como se não soubesse...) que não sou uma pessoa normal quando fico "incomodada" ao receber um email que começa com um

Estimada Mamã XX...

Foda-se, mamã?? MAMÃ??? Qual é a necessidade?

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Hooked

17.12.09
Fringe. The Mentalist. Private Practice. Grey's Anatomy. Flashforward. CSI Las Vegas. Crusoe. The Beautiful Life. E ainda não tenho Foxlife... fará quando tiver...!

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Bullying

17.12.09
Hoje a minha criança foi vítima de bullying pela primeira vez. Na verdade, o que aconteceu foi um miúdo chegar-se ao pé dela, puxar-lhe os cabelos, mandar-lhe a mão ao lábio inferior e puxar. Para mim, foi bullying. Para mim, que não assisti à cena e só soube depois, foi bullying. Se tivesse visto provavelmente até tinha achado graça ao facto de um pinchavelho ainda mais pequeno que ela lhe ter feito aquilo. Ou teria só ficado com vontade de fazer, eu própria, o mesmo ao miúdo. Ou não daria importância nenhuma - na verdade, mesmo não tendo assistido, não dou. Ela, coisinha e dócilzinha, vai começando a ter corpo para se defender. Organize-se. Ela, coisinha e dócilzinha, não fez mais do que miar com o susto e seguir com a vida dela. Como eu gosto de gente descomplicada, sem alma de drama queen...!!

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Do casamento (homo e hetero, whatever)

17.12.09
Esta coisa de o casamento pressupor a filiação, como diz o Dr. Jorge Miranda (que, para quem não sabe, foi um dos senhores que escreveu a actual Constituição), é coisa que me tira do sério. Eu acho que um casamento não pressupõe porra de filiação nenhuma. As pessoas que casam não são obrigadas a filiar ninguém. A maioria quer ter filhos? Sim. Alguns não querem? Não. E porque não querem ter filhos são impedidos de casar? Não. Alguns não podem ter filhos. E deixam de poder casar por isso? Não. Nem sequer é não quererem ter, é não poderem ter. Logo, o casamento entre eles não pressupõe filiação nenhuma. E daí? Casam na mesma e ninguém lhes pede prova de fertilidade antes.

Portanto, para mim, que sou uma gaja com a mania que é de esquerda, muito liberal, muito para a frente, o dia de hoje marca uma viragem. Se eu fosse gay andava aí a dar pulinhos de alegria. Até podia não querer casar, mas tinha o direito de escolha, como toda a gente. Não sendo gay, ando por aí a dar pulinhos de alegria pelos meus amigos gays que deixam de ser um caso à parte e passam, efectivamente, a ser considerados iguais a toda a gente. Já que pagam impostos como os outros, acho, sei lá, que faz "algum" sentido que tenham os mesmos direitos.

E não se dêem ao trabalho de me vir aqui espetar com artigos disto e daquilo, que eu não quero nem saber. Para mim, um direito, seja ele qual for, é igual para toda a gente. E o facto de a Declaração Universal dos Direitos do Homem ter lá a menção ao casamento heterossexual não me aquece nem me arrefece. Ou antes, faz-me pensar que a dita declaração não é assim tão universal e não tem os direitos do Homem, mas sim os direitos de alguns homens e de algumas mulheres, deixando os outros de fora. Go figure...

Adenda: e um obrigada à Andreia, que me alertou para uma gralha que tinha o texto. 

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O dia 16

17.12.09
Ontem fez sete anos que acabei o segundo namoro com o meu marido (e demorei cinco anos a perceber o erro e a fazer tudo de novo). E ontem fez seis anos que me tornei dona e senhora da casa que agora é nossa e que durante quatro anos foi minha. O 16 de Dezembro de 2002 foi triste, mas o 16 de Dezembro de 2003 foi feliz. Amei viver sozinha. Tanto que acho que não deveria ter vivido sozinha. Aquilo vicia. E, de facto, perder hábitos de "solteirice" é coisa que não é simples de se fazer...

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Dos abanos da terra

17.12.09
Estava a deitar-me. Ouvi um barulho, um troar estranho, diferente de um avião a baixa altitude, diferente de um camião a passar na rua em frente. E senti a cama a tremer. E a roupa no cabide. E o candeeiro. E a porta do armário. Depois abrandou. Depois voltou com mais força. E eu comecei a pensar três passos à frente. Não foi preciso. Parou. E fui dormir.

6.0.

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Do universo que devolve o que lhe damos

16.12.09
Curioso como, no exacto dia em que resolvo enviar um email a uma blogger cujo blog admiro, recebo um email de uma leitora que gosta aqui do sítio. E se por um lado a rápida resposta da escritora que admiro me deixou feliz, por outro a iniciativa e a simpatia da leitora deixaram-me ainda mais feliz. Porque, lá está, isto é um sítio aberto e claro que fico feliz por haver quem goste.

Era isto: obrigada, S. E obridada, M.I.

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Léxico

16.12.09
Palavras que odeio: unhaca, nanar, mimir, mir, bué, beca, camandro, tipo, entre muitas outras.

Palavras que amo: estória, silêncio, agreste, faca, gume, mortalha, ácido, morder, entre muitas outras.

Apeteceu-me partilhar.

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Heaven

16.12.09
Um banho quente. Um chocolate quente. O Lipstick Jungle de fugida. Um computador ligado.

Uma frase que me surgiu durante o banho. Que se lixem as horas. Vou escrever.

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